sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Livros que li.


Wendy Guerra, escritora cubana

Nunca fui primeira dama, Wendy Guerra, Ed. Benvirá, 256 pg.

Sempre que termino a leitura de um livro que me emociona, fico por dias imaginando outros desfechos, dou uma definição própria para situações pouco explicadas e me sinto íntima dos personagens.

Com este livro magnífico de Wendy Guerra foi assim. Em minha imaginação Nádia e Diego vivem sua história além do livro.

Ler sobre Cuba e suas idiossincrasias são um mistério a desvendar, e nisto o livro faz a sua parte, com um misto de poesia e crueza. Com uma linguagem leve e profunda nos leva a um quase enredo de filme.

Deparei ali com transcrições de músicas cantadas por Pablo Milanés, que até hoje frequenta assiduamente meu pen-drive.

Desfaz alguns mitos: Fidel, Che e outros e os coloca na mesma linha dos seres humanos mortais com suas perfeições e imperfeições. Eleva a figura da secretária de Fidel, Célia Sanches, que não sei se é apenas uma personagem ou se existiu de fato, mas que é de uma generosidade ímpar.

Nunca fui primeira dama, é um livro que exala emoção. Para ilustrar ainda mais, transcrevo a resenha de Daniel Benevides:

A cubana Wendy Guerra, uma das convidadas mais esperadas da Festa Literária Internacional de Paraty --de 4 a 8 de agosto (veja como foi a festa de 2009)--, é desses casos raros de escritores que se não se apoiam propriamente na literatura, e muito menos em sua tradição, mas em outros meios, como o cinema, as artes plásticas e a música. Disso resulta uma prosa muito pessoal, única, feita de fragmentos poéticos, que se espalham num campo fértil entre a memória e a reflexão.

Nesse sentido, seu segundo romance, "Nunca Fui Primeira-Dama", é quase um livro-objeto ou uma performance impressa. Em busca de uma explicação para Cuba, que seja também uma forma de superá-la, como na epígrafe de Hannah Arendt (“à medida em que realmente se possa superar o passado, essa superação consistiria em narrar o que aconteceu”), e em busca também de sua própria identidade, dissolvida em parte nos segredos e sombras do regime castrista, Wendy junta trechos aparentemente casuais de diários, poemas, letras de canções, listas, cartas, documentos oficiais, históricos e reminiscências como se fossem ditados pelo ritmo espontâneo e errático da lembrança - de uma lembrança ao mesmo tempo crítica e afetiva.

A narradora é Nádia Guerra, uma versão quase idêntica à própria autora. O romance se inicia com um desabafo num programa de rádio na madrugada. Nádia, mesmo nome da mulher de Lênin, que significa esperança em russo, fala para ninguém, na calada da noite, o que pensa sobre Cuba, sobre a imposição do exemplo de seus heróis. Para ela, os “verdadeiros heróis são meus pais, vítimas de uma sobrevivência doméstica, calada, dilatada, dolorosa.” Ela mesma se coloca como uma singela heroína, que sobrevive nessa ilha e suporta o acaso de estar viva.

Mas Nádia/Wendy, assim como outros escritores/artistas antes dela (Renaldo Arenas, Pedro Juan Gutiérrez ), ama Cuba profundamente, apesar de tudo. Não quer deixá-la. A ilha é sua família, e Fidel é um de seus muitos pais. Então procura compreender esse amor estranho que a aprisiona (no caso de Wendy, nenhum de seus livros --três de poesia e dois romances, foram publicados em Cuba). E, assim, busca a história de sua mãe, uma figura forte, inconformada, que tinha também um programa de rádio, no qual registrava a música tradicional dos velhos mestres cubanos. Era começo dos anos 80 e eles ainda não tinham sido descobertos sob a alcunha de Buena Vista Social Club.

Ela havia abandonado Cuba quando Nádia era adolescente. E deixado para trás um livro censurado dentro de uma caixa preta. Nádia recolhe os manuscritos dos escombros do que um dia foi sua casa e tenta dar-lhes forma. Trata-se da história da estoica Célia Sanches, ex-guerrilheira e principal assessora de Fidel, que todos acreditavam ser a mulher secreta do Comandante. É a história de uma mulher possível, corajosa, leal ao regime, mas também de personalidade marcante, religiosa, apaixonada, interessada nas artes.

Ao mesmo tempo em que continua esse romance perdido, a biografia silenciada de Célia, Nádia vai à Europa para resgatar sua mãe, então casada com um russo milionário, mas perdida na rede traiçoeira do Alzheimer. O esquecimento de sua mãe torna-se mais um empecilho para o quebra-cabeças íntimo de si mesma e de Cuba. Restam as dívidas do amor, os amigos, a arte, e Diego, o namorado mexicano.

Se o livro começa num desabafo, termina num fluxo de prosa poética que desemboca num retorno às origens. Numa afirmação de ser, afinal, cubana, acima de tudo, apesar de tudo. É, entre outras coisas, o que faz de Wendy Guerra uma escritora especial, capaz de compor um retrato íntimo da ilha --mas não daquela ilha de herois de mármore, e sim da Cuba que respira duas gerações depois da revolução, a Cuba de heroinas singelas como ela.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mandingo


Isto é pra convencer a Ana Martel a cantar essa belíssima música de Pedro Luiz, gravada por Roberta Sá.


Mandingo

Roberta Sá

Devagar com esse nêgo mandingo
Ele sabe apanhar a folha
Sabe mexer na erva
Sabe rezar a reza
Sabe curimar
Quando bate vem cabôco e orixá
Quando dança tudo que é erê vem dançar
Nó de amor que ele faz ninguém desata
Ele é dono do tempo, do vento,
Do mar e da mata
Ói que esse nêgo malê
Foi rei no Senegal
Vem de lá o seu poder
Para o bem e para o mal
No pescoço um talismã
Na cintura um tecebá
Seu remédio é curador
Seu veneno é de matar
Foi nas águas de Oxum
Que lavou seu colar
Mas é Ogum Xoroquê seu Eledá

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ana Martel, no AMAZONTECH 2012

Foto: Márcia do Carmo.

Por Sonia Canto.

Uma festa muito bonita está sendo preparada na Cidade do Samba. É o AMAZONTECH 2012 realizado pelo SEBRAE, com inúmeras parcerias. É muito bom passar pela Ivaldo Veras e ver os stands e palcos serem montados para mostrar nossas coisas.
Na parte musical além de outras atrações ANA MARTEL vai estar presente com uma super banda: Siney Sabóia (direção e trompete), Fabinho (guitarra), Valério de Lucca (bateria), Hian Moreira (contrabaixo), Marcelo (sax) e Jeffrei (teclados).
O show vai acontecer no dia 16/11, às 21:00, no palco principal.
Ana Martel vai apresentar o show "Sou Ana", com repertório muito especial.

sábado, 20 de outubro de 2012

Feliz Aniversário, Joãozinho Gomes

Pedra do Guindaste. A imagem de São José no Rio Amazonas, protegendo a cidade de Macapá.


JEITO TUCUJU
Quem nunca viu o Amazonas
Nunca irá entender a vida de um povo
De alma e cor brasileiras
Suas conquistas ribeiras
Seu ritmo novo
Não contará nossa história por não saber e por não fazer jus
Não curtirá nossas festas tucujus
Quem avistar o Amazonas, nesse momento, e souber transbordar de tanto amor
Este terá entendido o jeito de ser do povo daqui

Quem nunca viu o Amazonas
Jamais irá compreender a crença de um povo
Sua ciência caseira, a reza das benzedeiras, o dom milagroso
Não contará nossa história por não saber e por não fazer juz
Não curtirá nossas festas tucujus
Quem avistar o Amazonas, nesse momento, e souber transbordar de tanto amor
Este terá entendido o jeito de ser do povo daqui

Não contará nossas história por não saber e por não fazer juz
Não curtirá nossas festas tucujus
Quem avistar o Amazonas, nesse momento, e souber transbordar de tanto amor
Este terá entendido o jeito de ser do povo daqui

http://www.vagalume.com.br/grupo-senzalas/jeito-tucuju.html#ixzz29rCiS3yw

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

KIT CÍRIO

Meu Kit Círio tá prontinho: Chapéu, Camiseta, Toalhinha e Terço, tudo by Lírio Mimoso. Agora é só esperar o domingo chegar.

Círio de nazaré


Detalhe do teto


Altar de Nossa Senhora

Vitral

Como boa romeira, fui ontem à Igreja de Nossa Senhora de Nazaré pra marcar nosso encontro no domingo. Um momento de introspecção, reflexão e lembrança de todos os meus familiares e amigos do peito. Rezei muuuitooo. E fiz algumas fotos.

Crianças da minha vida



Quando penso em criança, o primeiro sentimento que me arrebata é o enternecimento. Uma criança sempre está à espera que algo mágico aconteça. Com os olhos perscrutantes, extravasa sua curiosidade, sua necessidade de pertencimento ao convívio social. É como se do alto de tantos anos já vividos, voltasse a sentir a expectativa do inesperado.

E o inesperado é sentir reavivado dentro de mim a alegria de partilhar o riso, o encantamento, o choro, a preocupação com o bem-estar, e então, me sinto afortunada.

Sim, sou uma pessoa afortunada. Gerei quatro filhos e dois deles me presentearam com quatro netos: Leonardo e Amada, filhos do Lênio e Ana Clara e Clarice, filhas da Oriana.

Minha alegria é imensa ao constatar que minhas quatro crianças são felizes, amadas e de bem com a vida.

Hoje é o dia das crianças e pela primeira vez, desde que o Leonardo nasceu não estou com eles. A saudade é enorme e o amor que sinto transcende o universo, o espaço, o tempo.

Leonardo, Ana Clara e Clarice, crianças da minha vida, meu coração quase explode de tanto amor que sinto por vocês.