sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Parabéns Professor Munhoz, 80 primaveras.

Professor Munhoz , no Teatro das Bacabeiras. 2004


Colagem de fotos: algumas cedidas pelo próprio Munhoz, outras do acervo de Fernando Canto
Querido Professor Munhoz,

O senhor não tem ideia do turbilhão de emoções que senti quando Fernando me entregou a sua carta. Foi um misto de alegria, ternura, carinho, gratidão, alegria, enfim...
Sempre que nos encontrávamos no ano passado, eu pensava cá com meus botões: “Poxa, o Professor Munhoz nem se refere à homenagem que lhe fiz...” Ou então: “Ah! Meu Deus, será que o que escrevi foi intempestivo?”
Também me ocorreu o seguinte pensamento: “Quem sabe o professor Munhoz é como 99,99% das pessoas a quem eu e Fernando homenageamos em nossos blogs”. Eles ou elas leem, comentam com os amigos nas rodas, as vezes no Facebook, mas não dão nenhum feedback no blog, que foi de onde partiu a homenagem.
De toda a forma, nossos últimos encontros foram mágicos. Ficou claro que a incomunicação interferiu, afinal a tecnologia evolui de forma desvairada e o senhor esperava que eu o parabenizasse da forma convencional: de próprio punho, forma que o senhor utiliza ainda hoje.
Mas o senhor aos 80 anos está evoluindo tecnologicamente, já tem até Facebook, só falta interagir mais frequentemente com seus inúmeros amigos virtuais. Verá o quanto é amado e querido. Verá o quanto seus ex-alunos esperam ansiosamente por mais ensinamentos, já que o senhor continua aprendendo em suas viagens e compartilhar sua sabedoria, sempre foi uma das suas mais apaixonantes virtudes.
No seu 80º aniversário presenteio-o com um novo mosaico, mais enriquecido. Quero que saiba que guardo todas as fotos que o senhor me entrega com o carinho e desvelo. Estão todas escaneadas e catalogadas. Prontinhas para serem usadas conforme suas instruções.
Termino deixando aqui um texto de Goethe, extraído de um livro que estou lendo sobre magia: “O que quer que possa fazer, comece-o. Existe algo de genialidade, força e magia na intrepidez”.
Parabéns professor, que seu 80º aniversário seja comemorado com todas as pompas e circunstâncias que o senhor merece por direito.
Com intensa gratidão, imenso carinho e profundo respeito,

Sônia Canto

Macapá, 02 de dezembro de 2011

Sônia, prezada Amiga:

Parece incrível, somente ontem na Confraria Tucuju, tomei conhecimento da homenagem que me fizeste no dia 10 de fevereiro deste ano, quando completei 79 anos.
Gostei do que disseste a meu respeito, num texto evocativo, recordando meus 20 anos ininterruptos no Colégio Amapaense, onde também fui diretor (segue a portaria de 17 de abril de 1961, assinada pelo governador José Francisco de Moura Cavalcanti). Quando te referes a meus “passos curtos e apressados”, lembrei de um aluno que, certa vez, me perguntou se eu andava apressado, correndo da vida. E respondi que, ao contrário, corria para não perder um minuto sequer do espetáculo da vida. E a minha filosofia de vida continua a mesma: viver a vida até a última gota, valorizando todos os minutos da existência.
Enfim, continuo amando a vida. Além do texto limpo, Sônia, gostei imensamente do mosaico com as 26 fotos, mostrando o Munhoz de sempre, com algumas modificações, que o tempo, implacável, não perdoa. E com a descoberta da tua bela homenagem, chegou ontem mesmo de Valparaíso de Goiás uma carta onde a missivista diz: “Fiquei impressionada como os amigos e ex-alunos. São carinhosos e gratos pelo professor Munhoz”.
Se os amigos sempre tiveram papel importante na minha vida, hoje meus maiores amigos são quase todos ex-alunos. E, como lembrança, uma foto que mostro pela primeira vez: eu com cinco anos em Belém do Pará, no dia 10 de fevereiro de 1937. Exatamente no dia do meu aniversário. Será que eu mudei muito? Vai com esta um artigo do Cordeiro Gomes, onde ele diz: “Os seus cabelos brancos, que para alguns representam respingos de serenata, para o professor Munhoz são as marcas de um lida dedicada ao ensino de gerações de amapaenses”.
E a respeito de minhas viagens, afirma: “Quase todos os anos, o professor Munhoz cai no mundo”. Uma falha é quando afirma: “Foi um frequentador assíduo de museus e bibliotecas espalhados pelo mundo”. Foi, não, pois contínuo descobrindo museus, como em julho deste ano. Em Madri, descobri um museu extraordinário: o Museu Cerrallo, magnífico palácio de dom Enrique de Aguilera y Gamboa, XVII Marquês de Cerrallo (1848-1922) em 28.000 peças incluindo pintura, escultura, numismática, relógios, desenhos, armaduras, etc. e em Cascais, Portugal, estive no novo Museu Paula Rego, admirando “O ORATÓRIO”, de grande força artística, onde os santos são substítuidos por crianças. Um novo Museu de Madri em um acervo extraordinário é o Thyssen – Bornemisza, que pertenceu ao barão suíço Hans Heirich com Thyssen – Bornemisza de Kaszon, dono da maior fortuna indivídual do seu país e uma das maiores da Europa. O que se vê hoje é o maior e mais completo acervo particular do mundo.
E quando Macapá terá um Museu de Belas-Artes? Tenho 52 anos de Amapá. Acho que vou morrer sem vê-lo. Outra foto que te mando: Eu, no Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na manhã de 12 de setembro de 2010, em foto de Tito Dominguez Núñez. Obrigado por tudo.
Antônio Munhoz Lopes

Macapá 10/02/2011

Texto publicado em www.smcanto.blogspot.com

Hoje é aniversário do professor Antônio Munhoz Lopes. Nascido em Belém no dia 10/02/32, completa hoje 79 anos, dos quais, 52 foram dedicados ao Amapá.
Emprestou sua inteligência e sensibilidade a formar corações e mentes amapaenses na arte e literatura.
Quem, a partir de 1960, não teve sua mente instigada pelo conhecimento do professor Munhoz, nas aulas ministradas, principalmente, no Colégio Amapaense?
A cada ano, no início do ano letivo, os alunos ficavam na expectativa das novidades que o professor traria de mais uma viagem internacional, a falar sobre museus, música, dança, os novos livros e filmes que foram lançados.
E lá vinha o professor Munhoz com seus passos curtos e apressados, a pasta preta debaixo do braço, recheada de fotos e prospectos dos locais visitados, pronto para compartilhar suas andanças pelo mundo. Era como se todos nós, alunos e alunas, tivéssemos acompanhado sua viagem, tal a riqueza de detalhes.
Hoje, aos 79 anos, é comum vê-lo nos principais eventos da cidade, sempre com o olhar perscrutante e disponibilidade para um bom papo. Parabéns professor.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012