sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Música deste instante: Futuros Amantes - Chico Buarque


Futuros Amantes

Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Aniversário de André Mont'Alverne

André com 1 ano

André com 8 anos

André hoje, lindo!
Hoje é aniversário de meu segundo filho, André.
Ser segundo filho é um drama... Só não é maior que o drama de ser sexto, como eu.
O que eu quero dizer ao meu filho André neste seu aniversário é que meu amor por ele é imenso, e amores imensos não se expressam com palavras próprias, vai-se buscar em outrem. Encontrei esta frase de Clarice Lispector que representa um pouquinho do meu imenso amor: "Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós".

Feliz Aniversário, filho!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Música deste instante: A alma e a matéria.


A Alma e a Matéria

Marisa Monte

Composição: Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/ Marisa Monte
Procuro nas coisas vagas ciência!
Eu movo dezenas de músculos para sorrir...
Nos poros a contrair
Nas pétalas do jasmim
Com a brisa que vem roçar
Da outra margem do mar...
Procuro na paisagem cadência!
Os átomos coreografam a grama do chão...
Na pele braile pra ler
Na superfície de mim
Milímetros de prazer
Quilômetros de paixão...
Vem pr'esse mundo
Deus quer nascer
Há algo invisível e encantado
Entre eu e você
E a alma aproveita pra ser
A matéria e viver...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ana e Elis


Para coroar o ano de 2012 e começar 2013 com o astral lá em cima, Ana Martel prepara para seu público um show especial: Sou Ana, canto Elis.

O show traz de volta as composições que estão no CD Sou Ana e canções interpretadas inicialmente por Elis Regina e que fazem parte do repertório de Ana Martel há 30 anos.

A banda que fará a moldura do espetáculo é formada por Siney Sabóia (trompete e direção musical), Marcelo Cardoso (saxofone), Valério de Lucca (bateria), Hian Moreira (contrabaixo), Jeffrey Redig (piano) e Fabinho Costa (guitarra).

“Sou Ana, canto Elis” será realizado no Motor’s Beach Club, na Avenida Beira Rio, Orla do Araxá.



SERVIÇO:
Data: 28/12/2012 (sexta-feira)
Hora: 22:30h
Local: Motor’s Beach Club - Av. Beira Rio, 1488
Ingresso: R$ 25,00
Contatos:
Telefones: 96 81293379 / 96 91127126

Música deste instante: Relicário


Relicário

Nando Reis

É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?
O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou
E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou
O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor
Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite
Por que está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for
Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou
O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
...está fazendo assim?
Desde que você chegou
O meu coração se abriu,
Hoje eu sinto mais calor
E não sinto nem mais frio,
E o que os olhos não vêm
O coração pressente,
Mesmo na saudade
Você não está ausente
E em cada beijo seu
E em cada estrela do céu
E em cada flor no campo
E em cada letra no papel
Que cor terão seus olhos
E a luz dos seu cabelo
Só sei que vou chamá-lo
De Ismael, Ismael...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Lendo, quase terminando.

4º Volume da Série - O Conquistador


Após a morte do grande líder Gengis Khan, seus herdeiros batalham entre si, por intrigas ou confrontos diretos, para decidir quem será seu sucessor. Seu filho Odegai é quem sai na frente nesta disputa, construindo uma nova capital para o império mongol. Em meio a isso, o habilidoso general Tsubodai, homem de confiança de Gengis Khan e Odegai, marcha para a Europa cruzando a Rússia, disposto a invadir e conquistar a França Medieval. Com um exército desorganizado e sem um líder forte, parece que a queda do reino francês é inevitável. Porém Tsudobai, em seu momento de glória, terá que fazer escolhas mais difíceis do que esperava.


E S P E T A C U L A R!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Música deste instante: Simples Assim, Ana Martel



SIMPLES ASSIM
Ana Martel

Correr o mundo inteiro
Ir... Ver tudo
Quatro dias em fevereiro
Poder sumir

Meu carnaval lírico
De chuva translúcida
Tem som de orquestra... Acústica
Nós rolando pela grama
A pele, Pelo sol... Pela música

Braços abertos, rosto na chuva
Corro Nas curvas desse caminho
Que vai dar na tua porta

Nós rolando pela grama
A pele, Pelo sol... Quem se importa?

Longe cantigas que vêm na brisa
Tudo é tão simples assim na vida
Ser feliz, ter paz... Tão normal
Nós rolando pela grama
A pele, pelo sol... Pleno carnaval


Créditos
CD
Composição: Ana Martel
Voz e vocais: Ana Martel

David Amorim: Violões de aço e nylon
Jacinto Kawage: Piano e órgão
Luiz Pardal: Violino
Príamo Brandão: Baixo acústico
Edvaldo Anaice: Bateria

Sou Ana, canto Elis


Bora lá povo! Telefonem e reservem os ingressos. Vai ser um espetáculo inesquecível.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Música deste instante

Parodiando meu amigo Elton Tavares (http://eltonvaletavares.blogspot.com.br/).: Música deste instante.
Monumento Marco Zero do Equador - 0º0'0''


MEU ENDEREÇO
Letra: Fernando Canto
Música: Zé Miguel


Meu endereço é bem fácil
É ali no meu do mundo
Onde está meu coração
Meus livros, meu violão
Meu alimento fecundo

A casa por onde paro
Qualquer carteiro conhece
É feita de sonho e linha
Que brilha quando anoitece

Na minha casa se tece
Mesuras na luz do dia
Pra afugentar quebrantos
Na hora da fantasia

É fácil o meu endereço
Vá lá quando o sol se por
Na esquina com o rio mais belo
Com a linha do equador

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Foi só um susto

Voltaram. Ufa!!! Estão lá todos bonitinhos lado a lado.

Sumiram de mim

Fui arrumar o layout do meu blog e meus seguidores, que já eram tão poucos, mas fiéis, sumiram. Pufff!!! Espero que voltem. o blog tá tão bonitinho.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Livros que li.


Wendy Guerra, escritora cubana

Nunca fui primeira dama, Wendy Guerra, Ed. Benvirá, 256 pg.

Sempre que termino a leitura de um livro que me emociona, fico por dias imaginando outros desfechos, dou uma definição própria para situações pouco explicadas e me sinto íntima dos personagens.

Com este livro magnífico de Wendy Guerra foi assim. Em minha imaginação Nádia e Diego vivem sua história além do livro.

Ler sobre Cuba e suas idiossincrasias são um mistério a desvendar, e nisto o livro faz a sua parte, com um misto de poesia e crueza. Com uma linguagem leve e profunda nos leva a um quase enredo de filme.

Deparei ali com transcrições de músicas cantadas por Pablo Milanés, que até hoje frequenta assiduamente meu pen-drive.

Desfaz alguns mitos: Fidel, Che e outros e os coloca na mesma linha dos seres humanos mortais com suas perfeições e imperfeições. Eleva a figura da secretária de Fidel, Célia Sanches, que não sei se é apenas uma personagem ou se existiu de fato, mas que é de uma generosidade ímpar.

Nunca fui primeira dama, é um livro que exala emoção. Para ilustrar ainda mais, transcrevo a resenha de Daniel Benevides:

A cubana Wendy Guerra, uma das convidadas mais esperadas da Festa Literária Internacional de Paraty --de 4 a 8 de agosto (veja como foi a festa de 2009)--, é desses casos raros de escritores que se não se apoiam propriamente na literatura, e muito menos em sua tradição, mas em outros meios, como o cinema, as artes plásticas e a música. Disso resulta uma prosa muito pessoal, única, feita de fragmentos poéticos, que se espalham num campo fértil entre a memória e a reflexão.

Nesse sentido, seu segundo romance, "Nunca Fui Primeira-Dama", é quase um livro-objeto ou uma performance impressa. Em busca de uma explicação para Cuba, que seja também uma forma de superá-la, como na epígrafe de Hannah Arendt (“à medida em que realmente se possa superar o passado, essa superação consistiria em narrar o que aconteceu”), e em busca também de sua própria identidade, dissolvida em parte nos segredos e sombras do regime castrista, Wendy junta trechos aparentemente casuais de diários, poemas, letras de canções, listas, cartas, documentos oficiais, históricos e reminiscências como se fossem ditados pelo ritmo espontâneo e errático da lembrança - de uma lembrança ao mesmo tempo crítica e afetiva.

A narradora é Nádia Guerra, uma versão quase idêntica à própria autora. O romance se inicia com um desabafo num programa de rádio na madrugada. Nádia, mesmo nome da mulher de Lênin, que significa esperança em russo, fala para ninguém, na calada da noite, o que pensa sobre Cuba, sobre a imposição do exemplo de seus heróis. Para ela, os “verdadeiros heróis são meus pais, vítimas de uma sobrevivência doméstica, calada, dilatada, dolorosa.” Ela mesma se coloca como uma singela heroína, que sobrevive nessa ilha e suporta o acaso de estar viva.

Mas Nádia/Wendy, assim como outros escritores/artistas antes dela (Renaldo Arenas, Pedro Juan Gutiérrez ), ama Cuba profundamente, apesar de tudo. Não quer deixá-la. A ilha é sua família, e Fidel é um de seus muitos pais. Então procura compreender esse amor estranho que a aprisiona (no caso de Wendy, nenhum de seus livros --três de poesia e dois romances, foram publicados em Cuba). E, assim, busca a história de sua mãe, uma figura forte, inconformada, que tinha também um programa de rádio, no qual registrava a música tradicional dos velhos mestres cubanos. Era começo dos anos 80 e eles ainda não tinham sido descobertos sob a alcunha de Buena Vista Social Club.

Ela havia abandonado Cuba quando Nádia era adolescente. E deixado para trás um livro censurado dentro de uma caixa preta. Nádia recolhe os manuscritos dos escombros do que um dia foi sua casa e tenta dar-lhes forma. Trata-se da história da estoica Célia Sanches, ex-guerrilheira e principal assessora de Fidel, que todos acreditavam ser a mulher secreta do Comandante. É a história de uma mulher possível, corajosa, leal ao regime, mas também de personalidade marcante, religiosa, apaixonada, interessada nas artes.

Ao mesmo tempo em que continua esse romance perdido, a biografia silenciada de Célia, Nádia vai à Europa para resgatar sua mãe, então casada com um russo milionário, mas perdida na rede traiçoeira do Alzheimer. O esquecimento de sua mãe torna-se mais um empecilho para o quebra-cabeças íntimo de si mesma e de Cuba. Restam as dívidas do amor, os amigos, a arte, e Diego, o namorado mexicano.

Se o livro começa num desabafo, termina num fluxo de prosa poética que desemboca num retorno às origens. Numa afirmação de ser, afinal, cubana, acima de tudo, apesar de tudo. É, entre outras coisas, o que faz de Wendy Guerra uma escritora especial, capaz de compor um retrato íntimo da ilha --mas não daquela ilha de herois de mármore, e sim da Cuba que respira duas gerações depois da revolução, a Cuba de heroinas singelas como ela.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mandingo


Isto é pra convencer a Ana Martel a cantar essa belíssima música de Pedro Luiz, gravada por Roberta Sá.


Mandingo

Roberta Sá

Devagar com esse nêgo mandingo
Ele sabe apanhar a folha
Sabe mexer na erva
Sabe rezar a reza
Sabe curimar
Quando bate vem cabôco e orixá
Quando dança tudo que é erê vem dançar
Nó de amor que ele faz ninguém desata
Ele é dono do tempo, do vento,
Do mar e da mata
Ói que esse nêgo malê
Foi rei no Senegal
Vem de lá o seu poder
Para o bem e para o mal
No pescoço um talismã
Na cintura um tecebá
Seu remédio é curador
Seu veneno é de matar
Foi nas águas de Oxum
Que lavou seu colar
Mas é Ogum Xoroquê seu Eledá

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ana Martel, no AMAZONTECH 2012

Foto: Márcia do Carmo.

Por Sonia Canto.

Uma festa muito bonita está sendo preparada na Cidade do Samba. É o AMAZONTECH 2012 realizado pelo SEBRAE, com inúmeras parcerias. É muito bom passar pela Ivaldo Veras e ver os stands e palcos serem montados para mostrar nossas coisas.
Na parte musical além de outras atrações ANA MARTEL vai estar presente com uma super banda: Siney Sabóia (direção e trompete), Fabinho (guitarra), Valério de Lucca (bateria), Hian Moreira (contrabaixo), Marcelo (sax) e Jeffrei (teclados).
O show vai acontecer no dia 16/11, às 21:00, no palco principal.
Ana Martel vai apresentar o show "Sou Ana", com repertório muito especial.

sábado, 20 de outubro de 2012

Feliz Aniversário, Joãozinho Gomes

Pedra do Guindaste. A imagem de São José no Rio Amazonas, protegendo a cidade de Macapá.


JEITO TUCUJU
Quem nunca viu o Amazonas
Nunca irá entender a vida de um povo
De alma e cor brasileiras
Suas conquistas ribeiras
Seu ritmo novo
Não contará nossa história por não saber e por não fazer jus
Não curtirá nossas festas tucujus
Quem avistar o Amazonas, nesse momento, e souber transbordar de tanto amor
Este terá entendido o jeito de ser do povo daqui

Quem nunca viu o Amazonas
Jamais irá compreender a crença de um povo
Sua ciência caseira, a reza das benzedeiras, o dom milagroso
Não contará nossa história por não saber e por não fazer juz
Não curtirá nossas festas tucujus
Quem avistar o Amazonas, nesse momento, e souber transbordar de tanto amor
Este terá entendido o jeito de ser do povo daqui

Não contará nossas história por não saber e por não fazer juz
Não curtirá nossas festas tucujus
Quem avistar o Amazonas, nesse momento, e souber transbordar de tanto amor
Este terá entendido o jeito de ser do povo daqui

http://www.vagalume.com.br/grupo-senzalas/jeito-tucuju.html#ixzz29rCiS3yw

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

KIT CÍRIO

Meu Kit Círio tá prontinho: Chapéu, Camiseta, Toalhinha e Terço, tudo by Lírio Mimoso. Agora é só esperar o domingo chegar.

Círio de nazaré


Detalhe do teto


Altar de Nossa Senhora

Vitral

Como boa romeira, fui ontem à Igreja de Nossa Senhora de Nazaré pra marcar nosso encontro no domingo. Um momento de introspecção, reflexão e lembrança de todos os meus familiares e amigos do peito. Rezei muuuitooo. E fiz algumas fotos.

Crianças da minha vida



Quando penso em criança, o primeiro sentimento que me arrebata é o enternecimento. Uma criança sempre está à espera que algo mágico aconteça. Com os olhos perscrutantes, extravasa sua curiosidade, sua necessidade de pertencimento ao convívio social. É como se do alto de tantos anos já vividos, voltasse a sentir a expectativa do inesperado.

E o inesperado é sentir reavivado dentro de mim a alegria de partilhar o riso, o encantamento, o choro, a preocupação com o bem-estar, e então, me sinto afortunada.

Sim, sou uma pessoa afortunada. Gerei quatro filhos e dois deles me presentearam com quatro netos: Leonardo e Amada, filhos do Lênio e Ana Clara e Clarice, filhas da Oriana.

Minha alegria é imensa ao constatar que minhas quatro crianças são felizes, amadas e de bem com a vida.

Hoje é o dia das crianças e pela primeira vez, desde que o Leonardo nasceu não estou com eles. A saudade é enorme e o amor que sinto transcende o universo, o espaço, o tempo.

Leonardo, Ana Clara e Clarice, crianças da minha vida, meu coração quase explode de tanto amor que sinto por vocês. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pôr do sol na Baía do Guajará.


Querem uma Luz Melhor que a do Sol!AH! QUEREM uma luz melhor que 
a do Sol! 
Querem prados mais verdes do que estes! 
Querem flores mais belas do que estas 
que vejo! 
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me. 
Mas, se acaso me descontentam, 
O que quero é um sol mais sol 
que o Sol, 
O que quero é prados mais prados 
que estes prados, 
O que quero é flores mais estas flores 
que estas flores - 
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

Encontro com amigos

Lúcia, Marinho, eu, Flávia, Jorge Herberth e Jaqueline.

Domingo (07/10), almoço e bate-papo deliciosos na casa de Lúcia e Marinho.

Círio de Nazaré - Belém - PA

É desta linda igreja, a Catedral Metropolitana de Belém, que no domingo (14) Nossa Senhora de Nazaré vai sair para encontrar seus milhões de devotos.
Depois de mais de uma década, também eu estarei entre os milhões de fiéis, caminhando e rezando, pedindo que Nossa Senhora de Nazaré cubra de bênçãos a mim, a minha família, aos meus amigos e a humanidade inteira.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

CINQUENTA TONS.


Texto de Sônia Canto
Sou uma leitora voraz. Sou capaz de encarar um livro de 800 páginas sem a menor cerimônia e devorá-lo em 3 dias, para isso é importante que o cheiro do livro seja, também, especial.
Ah, o cheiro dos livros... É um ritual: entrar na livraria, lançar aquele olhar de 360o nos livros expostos e decidir por um deles. Ultrapassada essa fase, vem o toque... Com as mãos espalmadas acariciar a capa, abrir o volume bem no meio e, lentamente, absorver o odor inebriante do papel.
Cada livro tem o seu odor especial e, raramente um livro de cheiro bom é ruim.
Foi o que aconteceu com Cinquenta Tons de Cinza, de E L James. Li em Veja sobre o lançamento, mas não dei atenção. Ao procurar o quarto livro da série Crônicas de Gelo e Fogo, “O Festim dos Corvos” e não o encontrando, dei de cara com aquela gravata prateada estampada  na capa de um livro cinza e o comprei, sem nenhum ritual.
Quando cheirei o livro, gostei do odor e comecei a ler. Ao devorar as primeiras páginas, minha primeira reação foi... “O quê que é isso?” Me pareceu estar de volta aos tempos de Bianca, Julia e Sabrina... Só faltaram aquelas clássicas descrições: tez clara, nariz adunco, queixo proeminente...
Segui em frente e passei a madrugada lendo. Terminei pela manhã.
O livro Cinquenta Tons de Cinza é o primeiro de uma trilogia, e a sequencia Cinquenta tons mais escuros, lançado em setembro, e Cinquenta tons de liberdade, a ser lançado em novembro no Brasil, conta a história de uma donzela de 21 anos e seu romance com um bilionário de 27 anos.
Em minha opinião, o sucesso estrondoso desta trilogia, no nível mundial, se deve a exposição de assuntos considerados tabus: o sadomasoquismo, principalmente.
É uma leitura intensa, com passagens que nunca haviam passado nem de longe em minhas fantasias mais delirantes. Mas não deixa de ser muito interessante e, de certa forma, elucidativa e educativa.
Comentando sobre a repercussão do livro, Lu Oliveira escreve No livro, a submissão sexual feminina é discutida e esse é um ponto interessante. Uma mulher pode ser chamada de independente não apenas quando tiver uma vida profissional satisfatória e um bom salário. Uma mulher será independente quando não se submeter às vontades do seu companheiro na cama apenas por medo de perdê-lo. Uma mulher será independente quando não se sentir constrangida em dizer para o marido ou para o namorado que tem suas fantasias e que deseja realizá-las com ele.”
Já num comentário ao texto de Lu Oliveira, alguém que se intitula RAHEG, diz A verdade é que desde que o mundo é mundo, tanto homens como mulheres tem guardado dentro de si, fantasias sexuais que sonham realizar um dia. Em função de nossa sociedade machista, apenas os homens (e nem sempre) as põe em prática, ficando a mulher na maioria das vezes, apenas com aquele desejo povoando seus pensamentos.”
O segundo livro da trilogia, Cinquenta tons mais escuros, traz o casal mais amadurecido e lidando com os aspectos mais sombrios de suas personalidades. Ele lutando para exorcizar seus fantasmas e ela se descobrindo mais próxima das sombras.
Agora é aguardar o lançamento de “Cinquenta tons de liberdade” para enfim, respirar.
Leia o texto completo de Lu Oliveira em:

sexta-feira, 22 de junho de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Diversidades de Fernando Canto.


Os passarinhos amanheceram, literalmente, cantando pousados no telhado de nossa casa e nos fios elétricos da rua. Sabiás carachués em sinfonia para homenagear Fernando Canto que faz aniversário hoje.
Fernando tem uma relação íntima com sabiás. Quando estudava para o mestrado, havia sempre um sabiá que cantava nas inúmeras madrugadas em que esteve debruçado nas vertentes discursivas da Fortaleza de São José de Macapá, para seu mestrado concluído em março de 2011. O Canto do Sabiá-Companheiro está no vídeo de apresentação da dissertação Discursos a fio no curso do Rio.
Não é fácil homenagear Fernando Canto com palavras, afinal ele também é muito íntimo delas. Escreve desde a adolescência e constrói poemas assim:
“Se exorto meu temor
tenho  que disfarçar vontades
                               de quilombar-me
fugir de ti a qualquer poço
                               ciladas sem preço
                               endereço ou rosto.”
(Cântico 15º, São José de Macapá – Roteiro Poético, 1985).

Também não é fácil homenagear com música, Fernando Canto compõe desde a adolescência:
“Na minha casa se tece
Mesuras no meio-dia
Pra afugentar quebrantos
Na hora da fantasia”
(Meu Endereço – Letra de Fernando Canto, Melodia de Zé Miguel).
  
“ Você veio pequenina
Batucando a campainha
De dentro do coração
Destruindo a dor bandida
Que marcava a minha vida
Viajando em contramão
...
Tu me ensinas contar lenda,
Que eu te ensino a ser feliz”
(Pequenina, Grupo Pilão. – Letra e Música de Fernando Canto)

Com um desenho, talvez? Não. Fernando Canto também se expressa com traços:

Minha homenagem a Fernando Canto neste seu aniversário, então é desejar, torcer mesmo, com dedinhos cruzadinhos que possamos juntos, compartilhar mais e mais aniversários. É continuar ouvindo e ouvindo: “Mas jáaa?”, “tu achas bonito isso...”, “A menininha, coitadinha...” ,  em acompanhá-lo de vez em quando em suas incansáveis “itinerâncias” pelas ruas desta Macapá que ele tanto ama.
Viver com Fernando Canto é uma dádiva. Feliz Aniversário.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Parabéns Bruno, meu filho.

Hoje meu filho Bruno Mont'Alverne faz 30 anos e, a cada ano, quando um de meus quatro filhos faz aniversário, volto meu pensamento para aqueles instantes que antecederam seu nascimento e os revivo com uma nitidez impressionante. Acho que isso é coisa de mãe.
Com relação ao Bruno, lembro de chegar na maternidade Mãe Luzia com uma barriga pequenininha, cheia de dores, achando que voltaria pra casa logo porque ainda estava com 8 meses de gestação. Não voltei no mesmo dia porque ele nasceu prematuro, pequenininho, rosadinho, lourinho, lindo!!!
Mais um prematurinho na minha vida, este o último filho. O meu caçulinha, lourinho de olhos verdes.
Hoje meu filho é um homem e algumas vezes o vejo como aquele bebezinho rechonchudinho. Acho que isso também é coisa de mãe.
José Saramago definiu bem, "Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo". 
Tai meu filho no mundo, com suas próprias experiências, lutando pelos seus espaços. Cheio de energia na construção do seu mundo. Mas às vezes, como todo filho, acho, volta pros meus braços sedento de aconchego.
Já Luiz Fernando Veríssimo é mais pragmático, diz "a verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final". Isto também é fato. O que também é fato é que uma boa arte-final depende de um bom layout.
Na verdade tudo o que eu gostaria de dizer ao meu filho Bruno, que faz aniversário hoje, ao meu filho Lênio, ao meu filho André e à minha filha Oriana, foi pensado e escrito por Lya Luft e publicado na Revista Veja de 12/05/12. Por isso republico aqui.



A canção de qualquer mãe
"Filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei
ou mereci ou imaginei ter"




"Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante. 
Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.
Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.
Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo. Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí. Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim. Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.

Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter."


Bruno meu filho, muitas e muitas felicidades. Hoje e sempre.