Fernando no Cafofo. |
Por Sônia Canto
🖤 "Sônia, amor querido da minha vida. Vou
viver até o fim repartindo com você minhas angústias e meus sonhos. Nada se
reparte se não estivermos acordados em um objetivo comum, e isso já é
cumplicidade. Te amo na vida, no sonho de um Brasil e de um Amapá melhor, e na
saudade. Na morte não, porque somos um sonho individual. Graças a Deus temos
amigos. Temos nossos filhos e nossos netos. Então, temos tudo." (F. Canto)
Hoje, ao revisitar algumas notas no celular de Fernando, encontrei a
mensagem acima, que me tocou profundamente. Era uma mensagem do WhatsApp não
enviada, um desabafo que ele havia guardado para si, mas que agora se
transforma em um eco da nossa história e do amor que compartilhamos. Fernando
se dirigia a mim, expressando um amor que transcendia o cotidiano e revelava
uma cumplicidade genuína entre almas que compartilham não apenas sonhos, mas
também angústias.
Ele disse: "Vou viver até o fim repartindo com você minhas
angústias e meus sonhos." Essas palavras ressoam dentro de mim com uma
intensidade imensurável. Elas nos lembram da importância de estarmos conectados
àqueles que amamos e de lutarmos juntos por um objetivo comum. Essa
cumplicidade, que ele tanto valorizava, é um laço que se fortalece na
resiliência e na esperança — e que agora se torna ainda mais precioso em sua
ausência.
A saudade é um sentimento que me acompanha todos os dias, um vazio que
parece infinito, mas seu amor e suas palavras permanecem vivos em meu coração.
Quando ele diz: "Te amo na vida, no sonho de um Brasil e de um Amapá
melhor, e na saudade", sei que ele estava me chamando à ação, à crença, à
manutenção da chama da esperança por dias melhores.
Fernando sempre falava sobre a importância de valorizar as relações que
construímos ao longo da vida. Mesmo diante da dor imensa da perda, ele me
lembra que tenho muito a agradecer: "Graças a Deus temos amigos. Temos
nossos filhos e nossos netos. Então, temos tudo." E é verdade. Embora a
saudade aperte, a gratidão pelas pessoas que me cercaram nos momentos mais
difíceis — e que hoje me oferecem seu colo —, assim como pelo legado que ele
deixou, enche meu coração.
Fernando era mais do que meu marido: era meu parceiro, meu amigo, meu confidente, meu amor. Suas palavras, sua sensibilidade e a maneira como ele me ensinou a amar mais, a sonhar mais e a ser grata são tesouros que levarei comigo para sempre. Que seu legado continue a inspirar todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. Que seu legado nos impulsione a sonhar e a fazer do mundo um lugar melhor.
A saudade talvez nunca vá embora, mas a lembrança do seu amor e da sua luta permanece viva em mim. E, com isso, sigo em frente, honrando cada momento que compartilhamos.
Te amo eternamente, meu amor.