sexta-feira, 21 de maio de 2010

Balé de Luz deu um baile!

Por Vânia Beatriz

juliele_vaniaO show Balé de Luz, da cantora amapaense Juliele, no sábado (8/05) na Choperia da Lagoa em Macapá cumpriu o que prometeu: marcar uma nova fase na carreira da cantora.

“Balé de Luz é uma referência a tudo aquilo que é banhado pela claridade, que movimenta e intensifica a vida e os cantares dessa diva em aprimoração constante.” Disse a produtora Sônia Canto, no texto de divulgação.

O show foi isso e um pouco mais. Para a volta aos palcos amapaenses, depois de dois anos do lançamento do primeiro CD, a artista se cercou de muita gente boa, seja na produção do show, que teve a direção musical do Maestro Manoel Cordeiro e a direção artística de Túlio Feliciano; sejam os músicos da banda de base que a acompanha: Manoel Cordeiro (Violão/Violão aço/Bandolim), Alan Gomes (Contrabaixo), Fabinho (Guitarra), Bibi ( Metais: soprano/tenor/flauta), Jefrei (Teclado) , Paulinho Queiroga (Bateria ) , Valério de Lucca e Mestre Nena (Percussão); sejam os produtores executivos Carlos Lobato e Sônia Canto.

Juliele apresentou repertório eclético, músicas conhecidas na voz de grandes artistas brasileiros, como Chico Buarque de Holanda e Roberto Carlos; intercaladas com músicas de também grandes compositores e cantores da região amazônica, como Fernando Canto, Joãosinho Gomes, Nilson Chaves, Nivito Guedes, Enrico di Micceli, Osmar Junior e Zé Miguel.

A abertura do show foi com a música “Pela cauda de um Cometa” (Fernando Canto e Nivito Guedes), uma referência na sensibilização para as questões ambientais. Na seqüência, Juliele anunciou: “...músicas para corações apaixonados, como o meu... Cantem comigo!”

Assim, se ouviu e se cantou junto as músicas: Miudeza (Nilson Chaves / Celso Viáfora); Eu já nem sei (Roberto Correa e Sylvio Son – gravada por Wanderléia); Quase fui lhe procurar (Getúlio Cortes – gravada por Roberto Carlos); Amor perfeito (Michael Sulivan/Paulo Massadas); Meu Disfarce (Chico Roque/Carlos Colla – gravada por Fafá de Belém); Cabide ( Ana Carolina) e Todas as Línguas (Nilson Chaves e Carlos Corrêa), esta faz parte do primeiro CD da cantora. Todas com uma nova roupagem, interpretações personalizadas, desta cantora de voz suave e aveludada que, quando do lançamento de seu primeiro CD, foi comparada a estrelas da música brasileira como a baiana Gal Costa, Jane Duboc e Fafá de Belém, estas nortistas como Juliele.

Enquanto a banda tocava a instrumental Olhando dos Andes (Manoel Cordeiro), já era quase domingo Dia das Mães. Juliele vestiu-se de vermelho, voltou ao palco, surpreendeu e emocionou cantando uma música que aprendeu a cantar com a mãe: “meu coração, não sei porque , bate feliz quando te vê... “ (Carinhoso – Pixinguinha).

Alguns dos princípios básicos do balé foram percebidos na posição cênica de Juliele: a disciplina, a leveza e harmonia das bailarinas clássicas. No palco, traçou os passos de seu balé solo, não de sapatilhas, mas de pés descalços, fazendo se agigantar a diva que canta e baila, do fado (Tanto Mar – Chico Buarque) ao marabaixo[1] (Pra onde tu vais rapaz – domínio público).

Fazendo esquecer a menina de jeito tímido, que se iniciou na música cantando em reuniões familiares, Juliele se mostrou desenvolta e generosa, soltou a voz, repartindo com o público os presentes ganhos, duas composiçóes inéditas: Balé de Luz (de Fernando Canto e Manoel Cordeiro) e Sem fim ( de Evaldo Gouveia). As surpresas não pararam por aí , quando se iniciaram os acordes de Pérola Azulada (Joãozinho Gomes e Zé Miguel) outra elegia ao planeta Terra, pensei estar havendo engano, não lembrava nada a introdução que eu conhecia, uma “...inédita versão country inteligentemente conduzida” definiu Raul Mareco. Tivemos ainda, Pedra de mistério (Enrico di Micelli e Osmar Jr.) e Meu endereço (Fernando Canto e Zé Miguel).

O show durou cerca de uma hora e meia, mas foi tão envolvente, que não percebi o tempo passar e ainda ficamos com gosto de quero mais. “Foi bonita a festa, pá , Fiquei contente...” Juliele e o público, também. Não foi à toa que ela escolheu a música “É hoje” (Didi e Maestrinho) para o bis: “.. diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu ...”. Assim estavam todos os que estiveram assistindo ao espetáculo: muito mais feliz!


[1] Música típica do Amapá

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