terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DESEJOS

 Arvore de Natal, em frente ao Teatro das Bacabeiras

Poema de Fernando Canto

Que seja palpável a mansidão da vida

Que seja leve o grande fardo dos dias

Que sejam tocáveis todas as estrelas

Que seja luzente e transponível

O horizonte das manhãs

Assim como o sol ilumina os rostos oprimidos

Pela angústia crescente dos homens

Assim como permanece presa

No sagrado baú dos deuses

Que seja a vida a arte de equilibrar o medo

Pois o ofício de viver exige talento

Que seja necessário apreciar os campos

Pois os olhos devem descansar no belo

Que as madrugadas sejam cândidas e nuas

Que a violência desapareça de todas as moradas

Que a cidade seja um grande coração

Para acolher até o sibilo do vento

Que se cantem hinos esperançosos

Que se assobiem pensando na liberdade

Que não deverá tardar

Que todos os homens olhem o sol nascer

E todos os dias imitem sua trajetória

Que as ruas sejam uma grande praça

E que se derrubem todos os muros

Porque assim todos poderão passear e se cumprimentar

Porque assim todos serão vizinhos

E se confraternizarão na Grande Festa

Que se abram todos os cadeados

Que as lágrimas sirvam para lavar as almas

E não mais inundem as avenidas

E que o amor seja forte e belo

Que tenha ele a alegria da planta

Ao dar fruto pela primeira vez

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