terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Fábrica de amor

Jorge Herberth Jorge Herberth, jornalista, é amapaense e mora a alguns anos em Belém. De vez em quanto vem à Macapá e deixa escapar versos como estes. Cheios de reminiscências e saudades.

Olha o leiteiro

Meu amor

Encheu de leite

A vasilha

Que a Chica deixou

Nem derramou

Olha o padeiro

Meu amor

São cinco pães

Torrados

Na sacola

Que o Abel pendurou

Olha a briga das crianças

Meu amor

Pelo bico do pão

Amaciado /torrado

que o padeiro

amassou

Olha o açaí roxinho

E cheiroso

Na panela de alumínio

Que seu Nonato marcou

Olha a tarde chegando

Meu amor

Com a chuva fina

Meu amor

Com o vento

E a semente do tempo

Que  o tempo 

Do rio Amazonas carregou

Do aroma do pão da tarde

Cheiro de amor quentinho

Que a Fábrica Amapaense

Pela cidade

exalou

O cheiro ardente do meu amor

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