sábado, 27 de novembro de 2010

QUASE FAMOSOS - UMA HISTÓRIA DE AMOR VERDADEIRO

Por André Mont’Alverne

Quase-Famosos1 (2) Neste filme, lançado há dez anos, o diretor Cameron Crowe apropria-se de uma cena rock and roll, assim como havia feito com o grunge de Seattle em "Singles - Vida de Solteiro", para embalar sua historia de amor. A diferença é que aqui as coisas são verdadeiras. Quase Famosos é praticamente um filme autobiográfico. Cameron Crowe foi de fato o jornalista prodígio que cobriu uma turnê do Led Zeppelin ainda na adolescência para a revista Rolling Stone.

Estamos em 1973 e William Miller, o alter-ego de Crowe na tela, (interpretado pelo estreante Patrick Fugit) tem apenas 15 anos. O rock manda no mundo. David Bowie é um mito que veio do espaço. Lou Reed largou o Velvet Underground e começou a caminhar no lado selvagem de sua carreira solo. Neil Young deixou o Buffalo Springfield para dedicar-se também a carreira solo e começou a brincar com os amigos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash.

Imagine Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin e Pink Floyd no auge, lançando seus melhores trabalhos. Naquele tempo os Deuses andavam sobre a Terra e um garoto rabiscava textos sobre música em um pequeno jornal de San Diego, até conhecer Lester Bangs que é só o cara mais genial que escreveu sobre música em todos os tempos e naquela ocasião editava a Cream Magazine. No filme Lester Bangs, (interpretado pelo ótimo Phillip Seymour Hoffman), aparece como mentor do garoto, sempre lhe dando muitos conselhos como: "As bandas irão te usar, irão te apresentar garotas, irão te dar drogas, tudo para que você fale bem delas, por isso, ao escrever sobre uma banda seja honesto e impiedoso"

Depois de ser surpreendido por um telefonema de Ben Fong-Torres (o mais famoso editor da mais famosa revista pop de todos os tempos) dizendo que quer uma matéria sobre uma banda nova, William embarca no mundo de "sexo, drogas e rock and roll" com a banda fictícia Stillwater, para desespero da sua mãe, numa interpretação sensacional de Frances McDormand. A pauta da matéria foi acertada via telefone, sendo assim, o editor não percebe que está conversando com um menino de 15 anos.

Sua missão era escrever uma matéria para a revista Rolling Stone: 3000 mil palavras sobre o Stillwater (o grupo é uma mistura de Led Zeppelin, Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd e The Who). No filme, somos apresentados ao mundo do rock and roll juntos com William. Antes, ele era apenas um fã que ouvia e venerava as bandas de rock e desconhecia o conturbado mundo de turnês, mentiras e brigas de egos. A época era de exageros, orgias, drogas e álcool, mas aqui, com os olhos do garoto, vemos uma versão romanceada disso tudo. Nada é escondido no filme, mas tudo é mostrado com uma sutileza que atinge a medida certa, o que é uma característica marcante de Cameron Crowe.

William é doce demais para o rock. E se apaixona logo pela garota mais bonita que aparece, Penny Lane, groupie que acompanha bandas, interpretada por Kate Hudson, com conhecimento da causa, já que ela tem uma certa inclinação a se envolver com músicos - depois de se separar de Chris Robinson, lider do Black Crowes, atualmente namora o Matt Bellamy do Muse.

É difícil não fechar os olhos e se colocar na posição de William. Principalmente para um fã de música, como eu, e para aqueles que, como diz a groupie Sapphire (Fairuza Balk), gostam tanto de uma música ou de uma banda a ponto de doer. "Quase Famosos" é um parente próximo de "Alta Fidelidade" que se aproxima mais de quem faz música, ou pelo menos de quem faz parte da indústria musical: bandas, empresários, jornalistas e, é claro, os fãs.

Dizem por aí que tudo sempre acontece por causa de uma garota, Penny Lane trouxe para Kate Hudson um lugar de destaque na minha - prateleira-de-coisas-boas-que-duram-para-sempre - por mais que a atriz agora amargue personagens fraquíssimos e veja sua carreira reduzida a comédias bestas, ela sempre será a eterna Penny Lane.

Quase Famosos funciona como uma máquina do tempo para as pessoas que se dizem órfãos dos anos 60 e 70, embora nunca tenham vivido a época propriamente dita, ou seja, quando estiver deprimido, não leve a sério, visite seus amigos e veja esse filme. Quase Famosos é, na verdade, um filme de grandes amizades, amores inesquecíveis e muito, muito do verdadeiro e puro rock and roll.

quase famosos (2)

Algumas curiosidades deste filme magnífico.

Este filme ganhou o Oscar de melhor roteiro, Grammy de melhor trilha sonora e dois Globos de Ouro: melhor filme e melhor atriz coadjuvante para Kate Hudson.

- O estreante Patrick Fugit foi escolhido após um teste com 200 adolescentes.

- O papel de Russell Hammond foi escrito para Brad Pitt que depois de gravar quase a metade do filme, não agradou Crowe e foi substituído.

O papel de Penny Lane foi escrito para Sarah Polley. A atriz estava ocupada com um projeto pessoal e Kate Hudson, que ficou com personagem que seria de Polley, havia sido escalada para viver a irmã de William.

- Para parecer uma banda real, os atores que viveram os integrantes da Stillwater ensaiavam quatro horas toda noite. Os ensaios duraram seis semanas.

- Peter Frampton ensinou a Billy Crudup como tocar guitarra durante as filmagens e as músicas da banda Stillwater foram escritas por Peter Frampton.

- A mão que escreve em uma folha na cena inicial do filme pertence a Cameron Crowe.

o episódio da discussão no avião é inspirado numa viagem que Cameron Crowe fez com o The Who.

- A cena inicial é uma homenagem ao drama O Sol é Para Todos (1962), um dos filmes preferidos de Cameron Crowe. Depois da sequência, William Miller e sua mãe começam a discutir sobre o protagonista do filme.

- Quando Russell Hammond declara: “Eu sou um deus dourado!”, ele faz uma menção a Robert Plant, da banda Led Zeppelin, que disse a mesma frase na sacada de um hotel na Sunset Strip. A diferença é que Plant estava sóbrio, Hammond não.

- Na cena em que o avião sofre uma turbulência, Russell começa a cantar “Peggy Sue”. A ação é uma referência a Buddy Holly, que morreu devido um acidente de avião enquanto estava em uma turnê. Depois, Russell muda de música, ele canta “Whoa baby!”, referência a The Big Bopper, que também morreu em um acidente de avião.

- Kirsten Dunst quase ficou com o papel de Penny Lane. Cameron Crowe disse que escolheu Hudson por ela transmitir a sensação de `espírito livre´. O diretor, cumprindo uma promessa que havia feito para Dunst, dirigiu um filme estrelado pela atriz em 2005, que é Tudo Acontece em Elizabethtown.

- A mãe de Cameron Crowe fez uma ponta no longa. O cineasta tentou manter ela distante de Frances McDormand, já que a atriz interpreta uma personagem baseada em sua mãe. Assim que Crowe deixou o set por alguns minutos no primeiro dia de filmagens, McDormand e sua mãe estavam lanchando juntas.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Cameron Crowe

Elenco: Billy Crudup, Frances McDormand, Kate Hudson, Jason Lee, Patrick Fugit, Anna Paquin, Fairuza Balk, Noah Taylor, Philip Seymour Hoffman.

Produção: Cameron Crowe e Ian Bryce

Roteiro: Cameron Crowe

Fotografia: John Toll

Trilha Sonora: Nancy Wilson

Duração: 122 min.

Ano: 2000

País: EUA

Gênero: Drama

Cor: Colorido

Distribuidora: UIP

Estúdio: Columbia Pictures / DreamWorks SKG / Vinyl Films

Classificação: 12 anos

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